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Pais rígidos criam filhos bem-sucedidos, porém por Naíma Saleh


Pais desejam que seus filhos se tornem pessoas de sucesso no futuro e trabalham duro para isso. Mas o que é exatamente ser uma pessoa bem-sucedida? Ter uma renda alta? Ter feito uma faculdade? Uma pesquisa realizada pela Universidade no Japão, fez um estudo sobre como o estilo de paternidade/maternidade pode influenciar o futuro da criança. Mais do que isso: os resultados mostraram que bons níveis acadêmicos e um salário acima da média nem sempre são sinônimos de uma vida feliz e satisfatória.A partir de um questionário respondido por 5 mil homens e mulheres, os pesquisadores concluíram que filhos de pais rígidos, que eram demasiadamente cobrados, alcançavam uma boa renda e tinham alto nível de escolaridade, no entanto apresentaram baixos níveis de felicidade. Em compensação, aqueles que receberam cuidados e atenção positivos dos pais quando eram crianças se tornaram tanto bem-sucedidos quanto felizes na vida adulta.Os participantes responderam a diversas questões sobre sua vida familiar e classificaram afirmações como “meus pais confiam em mim” e “eu sentia como se minha família não tivesse interesse em mim”.Com essas respostas em mãos, os especialistas se concentraram em analisar quatro diferentes pontos: (des)interesse, confiança, regras e independência. Além disso, eles também levaram em conta o “passar tempo junto com os pais” e o sentimento de ser repreendido por eles. Assim, foi criada uma classificação com estilos diferentes de pais:
Apoiadores:Criança com níveis altos e médios de independência, altos níveis de confiança, altos níveis de interesse pela criança, muito tempo passado junto com o filho.
Rígidos:Baixos níveis de independência, níveis de confiança de médio a alto, rígido ou muito rígido, níveis de interesse pela criança de médio a baixo, muitas regras.
Indulgente:Níveis médios a altos de confiança, nem um pouco rígidos, o tempo passado junto com a criança vai da média para cima.
Maleável:Baixos níveis de interesse pela criança, nem um pouco rígido, pouco tempo passado junto com as crianças, poucas regras.
Áspero:Baixos níveis de interesse pela criança, baixos níveis de independência, baixos níveis de confiança, rígido.
A partir dessas informações, os especialistas constataram que tanto os filhos de pais rígidos quanto os filhos de pais apoiadores alcançaram bons níveis acadêmicos e de renda. No entanto, ao contrário dos filhos de pais apoiadores, que reportaram altos níveis de felicidade, os filhos de pais rígidos apresentaram níveis mais baixos desse sentimento e também mais estresse. Para a psicopedagoga Quezia Bombonatto, a justificativa para esse resultado é muito simples: “uma criança que é cobrada todo o tempo pode até ter sucesso, seja acadêmico, seja profissinal, mas isso não quer dizer que ela se sinta realizada.“Regras são boas desde que não sejam paralisantes.Esse sentimento de dever cumprido e de celebração de conquistas, depende essencialmente da construção de uma boa autoestima. “Cabe aos pais passar à criança a crença em seus valores, estimular seu potencial e fazê-la acreditar que é capaz”. Para ela, o excesso de regras, uma característica marcante dos pais classificados como rígidos, pode ser um fator que atrapalha bastante a construção da confiança que a criança precisa ter em si mesma. Isso porque, onde há muitas regras, as escolhas já estão pré-determinadas e os pequenos não têm a oportunidade de se colocarem. Desse modo, fica difícil perceberem sua própria capacidade. “Regras são boas desde que não sejam paralisantes. É preciso saber até onde elas existem pela disciplina e que ponto elas se tornam apenas um autoritarismo”.
Além disso, pais rígidos, apesar de cobrarem muitos resultados, não demonstram altos níveis de interesse pelos filhos. Ou seja, a cobrança é persistente, mas a criança só recebe atenção na hora em que precisa apresentar resultados. Isso pode gerar a ideia errônea de que, para ter o afeto dos pais a criança precisa fazer por merecer,ou seja,cumprir metas

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